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Silagem de milho, otimizando processos a fim de aumentar eficiência na atividade

Rodrigo Magalhães

Estudante de Agronomia

 

Durante os 30 anos de existência, o Programa de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira (PDPL) gerou um vasto banco de dados da atividade, que possibilita os estagiários e técnicos que lá trabalham terem acesso a informações importantes para auxiliar nas tomadas de decisões. Dentro do Programa de estágio, são utilizados softwares de gestão e acompanhamento zootécnico que permitem analisar a situação das fazendas de forma sistemática e assertiva, trabalhando em melhorias mais pontuais de acordo com as características de cada propriedade.

Como exemplo disto, há alguns anos o PDPL desenvolve um relatório agronômico completo de custo de produção de implantação de forrageiras, que permite aos estagiários e técnicos tomarem as decisões com base em números, o que aumenta as chances de sucesso significativamente.

 

Fazenda Taperão – Ubá/MG

 

O relatório mais utilizado é das lavouras de milho destinado a ensilagem. Ele abrange todos os custos de produção, bem como indicadores de eficiência e produtividade das lavouras dos produtores e através de gráficos a análise se torna mais simples, mostrando as lavouras que foram mais eficientes, produzindo mais alimento, com mais qualidade, de forma mais interessante economicamente.

Na safra de verão 2017/2018, das 42 propriedades assistidas, 40 plantaram milho para obtenção de silagem. Em 97 áreas, foram plantados 695,10 hectares, com uma produtividade média de 50,4 toneladas de matéria natural por hectare. A média do custo por hectare foi de R$ 3.811,07, e com isto o custo da tonelada de matéria natural foi de R$ 85,73.

No gráfico 1 abaixo, é possível verificar o quando cada componente de custo impactou ao final da produção.

 

Componentes de Custo de Produção para Silagem de Milho – Média Geral

Gráfico 1 – Componentes de Custo de Produção para Silagem de Milho.

 

Otimizar todos os processos é de fundamental importância. No gráfico 1 notamos que em média, 11% do custo da lavoura fica comprometida com o preparo de solo, R$437,56 englobam os custos com mão de obra e as operações de gradagem, aração e em alguns casos subsolagem. Profissionais treinados, que sabem o momento certo de cada operação ajudam nesse ponto, além disso é imprescindível que seja verificada a necessidade de tais práticas. Revolvimento mínimo e plantio direto são técnicas já consolidadas, que além dos benefícios do ponto de vista ambiental, enraizamento, microbiota mais rica, dentre outros, também podem reduzir os custos de implantação da lavoura já que evitam o preparo convencional.

Para o plantio, em média é despendido pelo produtor R$1173,65, ou seja, 31% do custo da silagem. Nesse processo devemos ser criteriosos, o tratamento de sementes é sempre recomendado visto que em média gastou-se R$58,71/ha. Com a produtividade média de 50,4 toneladas de matéria natural/há, tem-se R$1,16 acrescido no custo da tonelada, o que é justificável visto que contribui para uma boa emergência, germinação e sanidade das plantas, evitando como por exemplo a necessidade de replantio no caso de ataque de pragas nessa fase. Além disso a escolha do material a ser plantado deve ser levada em conta. Há diversas opções no mercado, e deve-se escolher aquela mais indicada para a região, com a tecnologia recomendada e que no final entregue um melhor custo/benefício a cada situação.

Os tratos culturais representaram grande impacto na safra 2017/2018. Com preços altos de combustível, fertilizantes, além dos outros insumos necessários no processo percebemos o quanto essa fase é delicada. Deve-se sempre buscar otimização, verificando a real necessidade de cada ítem, além de realizá-los da melhor forma, no momento certo. Como por exemplo a compra em conjunto dos produtores antendidos pelo Programa, onde se busca um maior volume de insumo, aumentando o poder de negociação e reduzindo os valores de frete. Foi gasto em média R$1239,89 nesse ítem, 33% do custo de produção.

A colheita e ensilagem, apesar de ocupar a terceira colocação nessa lista, não deve ser subestimada. Esse item engloba principalmente a eficiência hora máquina, o produtor do PDPL, gastou em média R$894,81 apenas com maquinário e o combustível, o que é bastante significativo. Nessa parte do processo foi comprometido 25% do custo, ou seja, R$959,96 com maquinário, lonas e inoculantes. Assim como nas demais operações com maquinários é fundamental uma correta regulagem e manutenção de todos os equipamentos além e avaliar sempre o quão eficiente a compactação está sendo realizada.

As despesas com alimentos volumosos, em geral, ocupam a terceira colocação entre os maiores custos da atividade leiteira. Produtores eficientes gastam em média 10 a 12% da sua renda bruta anual com volumosos e esse é um importante indicador que devemos ter como referência visando maiores rentabilidades. Para alcançar estes valores, o produtor deve ser eficiente agronomicamente, ou seja, realizar o plantio, tratos culturais e colheita no momento exato, em busca de alcançar o máximo produtivo de sua lavoura.

Como bem sabemos, mesmo que os fatores abióticos sejam satisfatoriamente cumpridos, ainda dependemos das condições adequadas de clima, altitude, dentre outros que podem vir a refletir na produtividade da lavoura.

Fazendo uma análise mais criteriosa, separamos os 40 produtores em 3 grupos. No gráfico abaixo, considerando a produtividade e os custos por tonelada de matéria natural foram divididos em Superiores (13 produtores), Intermediários (13 produtores) e Inferiores (14 produtores).

 

GRÁFICO 2

 

No gráfico 2 é possível verificar em cada subdivisão que os produtores que obtiveram uma produtividade mais alta, conseguiram uma diluição do custo da tonelada.

Com isso, é de fundamental importância uma boa assistência técnica aos produtores, levando novas ferramentas e tecnologias que auxiliam quem vive do campo. É importante também estar atento a todos os fatores da produção do volumoso, buscando escala e eficiência a fim de equilibrar os custos e com isso, garantir alimento de qualidade a um preço sustentável na atividade leiteira.

 

Fonte:  Informativo do Leite – fev/2019