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Mastite em novilhas

Alice Portilho

Estudante de Medicina Veterinária

 

A mastite é uma das doenças que mais acomete o rebanho bovino leiteiro, além de ser responsável por enorme perda econômica na atividade devido a sua grande ocorrência e os prejuízos que ocasiona na produção.

A enfermidade manifesta-se de duas formas, clínica e subclínica. A primeira possui sinais clínicos evidentes na glândula mamária e a segunda depende de exames complementares para sua identificação, como análise de CCS individual ou o teste CMT.

Novilhas não iniciaram sua vida produtiva e, devido a isto, não há grande preocupação com prevenção e controle da mastite nos lotes das mesmas por serem consideradas animais sadios pelos produtores. Consequentemente, o animal pode ser portador da doença por um ano ou até o momento que entrar em lactação e apresentar casos clínicos. Devido a isto, deve sempre se  atentar a alterações nas glândulas mamárias que podem apresentar sinais de inflamação como aumento de volume, enrijecimento e aumento da temperatura, além de apresentar secreções com coágulos.

Em consequência, ao chegar à idade adulta haverá menor produção de leite devido aos danos causados pelos microorganismos durante o desenvolvimento do tecido mamário diminuindo a capacidade produtora da glândula ou em casos mais graves, ocasionando a perda do quarto mamário e consequente descarte deste animal.

Após diversos estudos, verificou-se que os microrganismos mais associados à mastite subclínica em novilhas são Staphylococcus coagulase negativo, Staphylococcus aureus, Streptococcus ambientais e coliformes (bactérias causadoras de mastite ambiental).

As formas de infecção podem estar relacionadas às bactérias comensais da pele do teto e da cavidade oral levando a transmissão durante as mamadas cruzadas ainda no bezerreiro, contaminação devido ao ambiente sujo com excesso de lama e dejetos ou através de moscas que levam contaminação para as mesmas.

 

 

Identificar o problema quanto antes na propriedade é o primeiro passo para implantar um programa de controle de mastite, visto que grande parte dos problemas durante a lactação está relacionado ao manejo com bezerras e novilhas. Alguns pontos quando seguidos corretamente diminui os prejuízos da propriedade, sendo alguns:

 

  • Manter as bezerras em bezerreiros individuais, para evitar mamadas cruzadas.
  • Manter as novilhas em locais limpos e secos.
  • Evitar locais com acúmulo de lama, dejetos e alta densidade de No período pré-parto, alojar os animais em piquetes bem drenados para evitar alta umidade.
  • Realizar controle de moscas para reduzir a transmissão de patógenos entre animais infectados e novilhas com lesões nos tetos.
  • Monitorar a glândula mamária desses animais visando detectar qualquer sinal de anormalidade na consistência ou na secreção mamária.

 

Então, é preciso rever o manejo adotado em sua propriedade para que esses animais possam expressar seu potencial genético na idade certa, com uma maior produção de leite e menor custo.

 

Fonte: Informativo do Leite – março/2019