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Estratégias de conforto animal

Uma das estratégias para aumentar as margens de ganho na atividade, é buscar produzir mais leite por vaca/dia, com equilíbrio nos custos de produção. No entanto, para isso, devemos respeitar alguns pilares básicos para a produção leiteira, tais como: fornecimento de uma dieta balanceada e de qualidade aos animais, boa genética, sanidade do rebanho e conforto animal.

O conforto animal, muitas vezes, é deixado de lado pelos produtores. No entanto, é um dos principais fatores que limitam alcançar maior produtividade das vacas leiteiras. Dentre vários fatores que afetam o conforto animal, o principal deles é o estresse calórico. O Brasil é um país tropical e, por isso, passamos por desafios, com altas temperaturas e alta umidade relativa do ar. Assim, devemos sempre planejar a genética do rebanho de acordo com as características da região onde se localiza a propriedade.

Rebanhos mestiços ficam na zona de conforto térmico quando as temperaturas estão entre 5°C e 31°C; os rebanhos zebuínos (Gir e Guzerá), entre 10°C e 27°C, enquanto os rebanhos europeus (Holandês, Jersey, Pardo Suíço) são mais exigentes em temperaturas amenas, com temperatura média, para zona de conforto, entre 0°C a 16°C.

Quando não respeitamos as temperaturas de conforto, podemos perder de 10% a 20% em produtividade, por vaca/dia, além de alcançar menores taxas de inseminação e concepção do rebanho. Isto se deve a menor ingestão de alimentos que tem como consequência a diminuição da conversão em produção leiteira, na reprodução e na imunidade dos animais.

As estratégias para auxiliar na prevenção do estresse térmico são:

 

  • Alimentos:

Os cochos devem ser dimensionados de acordo com a categoria presente no lote. Para animais adultos, o espaçamento ideal é 0,7 m a 0,8 m de cocho por animal, enquanto para animais jovens de 0,5 m. A alimentação deve ser fracionada em pelo menos 2 tratos diários, e os animais devem ter acesso ao cocho durante a noite, que é o momento de temperatura mais amena. A dieta deve ser balanceada, com níveis de energia e proteína que atenda à exigência dos animais. Sistemas a pasto, devem proporcionar o pastejo sempre nos momentos mais frescos do dia, que, em geral, é a noite ou pela manhã.

 

 

  • Sombra:

Para animais adultos, os abrigos (sombrites, cobertas e sombras naturais) deverão obedecer ao espaçamento de 7,5m² por animal. Para animais jovens, 2,5 m² por cabeça.

 

 

  • Água:

O bebedouro deverá ser dimensionado em 10 a 15 cm de cocho por animal presente no lote, comportando um volume de 60 litros de água por cabeça.

 

  • Aspersão e ventilação:

Em sistemas de confinamento, é recomendado a aspersão e ventilação na linha da pista de trato, utilizando o seguinte dimensionamento: Ventilação na velocidade de 3 m/s e aspersão utilizando 1,5 litros de água por vaca por ciclo, onde os ciclos devem respeitar o seguinte intervalo de tempo:

 

 

 

Conhecendo melhor as estratégias para sanar os problemas relacionados ao estresse térmico, junto ao técnico de sua propriedade, identifique quais são os pontos de melhoria da sua fazenda, visando aumentar a média produtiva das vacas, mas sempre com equilíbrio nos custos.

Lembre-se, quando oferecemos às vacas o que nós queremos, elas produzem o leite que elas querem. Quando oferecemos o que elas querem, elas produzem o leite que nós queremos!

 

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Lucas Fonseca

Engº Agrônomo Labor Rural