Avicultura

Custo com aquecimento e seus impactos no desempenho produtivo

Na criação de frangos de corte, para obter um bom desempenho produtivo e econômico, é essencial se atentar a quatro fatores primordiais: sanidade, nutrição, manejo e ambiência. A fase inicial do ciclo produtivo, que compreende as duas primeiras semanas de vida das aves é a mais crucial, logo, falhas ocorridas poderão comprometer o restante do ciclo de criação.

 

Pintos de corte, na fase inicial de criação, não são capazes de manter adequadamente a sua temperatura corporal, sendo muito sensíveis às variações térmicas do ambiente no qual se encontram. Por isso, o aquecimento é um manejo fundamental para garantir o desenvolvimento das aves, nas primeiras semanas de vida.

 

O gasto com o aquecimento é um dos principais elementos de despesa que compõe o custo operacional efetivo. O gráfico abaixo esboça o custo operacional efetivo por unidade produtiva (R$/frango), sendo os dados do Projeto Campo Futuro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), na unidade modal de frangos de corte, sob integração em diferentes tipos de aquecimento.

 

Gráfico 1: Elementos de despesa que compõe o custo operacional efetivo

Fonte: Projeto Campo Futuro CNA (2019). Dados atualizados em julho/19, por Labor Rural/UFV/CNA.

 

No gráfico 1 é possível observar que, dos elementos de despesas que compõem o custo operacional efetivo, a despesa com aquecimento está em quarto lugar, próximo de R$0,045/frango produzido.  Portanto é fundamental trabalhar com estratégias que possam tornar o aquecimento mais eficiente, para garantir o melhor desempenho das aves e, ao mesmo tempo, o melhor equilíbrio do custo de produção.

 

Veja agora a matéria-prima para o aquecimento. Há sistemas que utilizam o gás, isso, em menor escala. São bem mais utilizados a lenha e os pellets de madeira.  Apesar de a lenha ser um insumo de menor custo, frente ao pellet, como demostrado no gráfico 2, ela apresenta alguns pontos críticos, como a dificuldade para armazenamento, padronização da matéria-prima e maior demanda por mão de obra, o que de certa forma, interfere na uniformidade do aquecimento. Já os pellets são de fácil armazenagem, padronizados industrialmente e demandam menor utilização de mão de obra, uma vez que as máquinas de aquecimento são automatizadas. Desta forma consegue-se maior uniformização do aquecimento.

 

Gráfico 2: Custo com aquecimento por frango, pelo tipo de matéria-prima

Fonte: Projeto Campo Futuro CNA (2019). Dados atualizados em julho/19, por Labor Rural/UFV/CNA.

 

O gráfico 2 esboça o comportamento do custo do aquecimento com a utilização dos pellets (R$0,124/frango), comparado com a utilização da lenha (R$ 0,039/frango). Também mostra que, no sistema de aquecimento a pellets, o custo da mão de obra em relação à renda bruta, é menor, comprovando que nesse tipo de sistema, com automação, a necessidade de mão de obra é menor e, consequentemente, tende a garantir melhor padronização do aquecimento ao logo do desenvolvimento da ave, ou seja, o investimento é vantajoso. Além disso, espera-se que o resultado seja melhor, em razão da eficiência do aquecimento, o que pode ser verificado no gráfico 3.

 

Gráfico 3: Resultados econômicos alcançados, em razão do tipo de matéria-prima para aquecimento

 

Fonte: Projeto Campo Futuro CNA (2019). Dados atualizados em julho/19, por Labor Rural/UFV/CNA

 

Observe que é muito importante avaliar a disponibilidade, na região, da matéria-prima a ser utilizada, para que o custo seja acessível. Também deve-se investir em melhores tecnologias e técnicas de manejo, fundamentais para garantir melhores resultados e conseguir manter o negócio rentável e competitivo frente a outras atividades. Um bom manejo na fase inicial será determinante para atingir as metas e as exigências da indústria.

 

 

Paulo Henrique Paiva – Supervisor técnico